sobre a alimentação primária

 Em nutrição, vida holística

Uma das primeiras,  e mais importantes, coisas que aprendi no Institute for Integrative Nutrition foi o conceito de alimentos primários, eu prefiro chamar de alimentação primária (primary foods).

Não é a primeira vez que falo disto por aqui, mas é sempre bom relembrar este conceito. Alimentação primária é tudo o que nos alimenta mas não é comida. É tudo o que alimenta as nossas almas e corações, negativa e positivamente. Lembro-me de estudar este conceito e pensar, como é que nunca tinha pensado nisto antes?

Acho que este conceito nos vai passando ao lado, mas a verdade é que é um conceito tão importante, e é por isso que falamos em alimentação primária, e não secundária. No fundo são os alimentos primários que pautam a nossa vida. Estes podem estar relacionados com o nosso percurso profissional, a relação que temos com a nossa familia, e/ou companheiro/a, a relação que temos com o nosso corpo, o tempo que dedicamos a nós mesmos, entre mil e outras coisas, que podem afectar muito a nossa felicidade quando não estão em equilibrio.

A maior parte de nós acredita que assim que começarmos a alimentar-nos de uma forma exemplar, todos os nossos problemas vão desaparecer, mas a verdade é que na maoria das vezes o resultado é o oposto, porque está tudo relacionado.

Algumas pessoas acreditam que se beberem batidos verdes de repente todos os seus problemas vão desaparecer, e eu pergunto, como é que uma mudança na minha alimentação pode ser bem sucedida se continuo infeliz com o meu emprego? Ou se tenho pouco dinheiro?

Uma alimentação saudável não deve ser um penso rápido para corrigir tudo o resto que está mal, mas pode ser visto como um primeiro passo para cuidarmos melhor de nós, e para prestarmos mais atenção a todas as coisas que não estão bem nas nossas vidas, e é nesta óptica que desenvolvo o meu trabalho. Comer de uma forma mais saudável deixa-nos emocionalmente mais estáveis e fisicamente com mais energia. Se virmos esta mudança como um primeiro empurrão para alterarmos tudo o resto, então sim faz todo o sentido. Se esperarmos que esta seja a única coisa que fazemos por nós mesmos, então o mais provavél é que ao fim de uns meses, por não estarmos emocionalmente equilibrados, voltarmos aos maus hábitos alimentares, e ainda ficarmos mais deprimidos com isso.

Então como é que a nossa alimentação secundária pode viver em equilibrio com a primária?

Para mim o ponto de partida é pararmos para refletir, termos tempo para nós mesmos, tentar perceber o que está em desequilibrio, irmos à raíz da questão. E a partir daí, aos poucos, mudar o que está menos bem, mesmo sabendo que uma mudança normalmente não acontece da noite para o dia, e que tudo demora o seu tempo.

Acreditem que assim que dermos o primeiro passo vamo-nos sentir bem melhor e empoderadas/os. Nesta dança da alimentação primária e secundária é importante termos em mente que a alimentação primária deve ser a nossa maior prioridade, se ela for plena, todo o resto vem por acréscimo, de uma forma natural. Vamos querer naturalmente cuidar melhor de nós porque estamos felizes e respeitamos o nosso corpo. Também é importante aceitarmos que podemos ser felizes mesmo quando as nossas vidas estão cheias de imperfeições, e que uns dias comemos salada, e noutros comemos bolos, a nossa alimentação tal como o nosso dia-a-dia não é perfeito, por isso o que importa no final do dia é mesmo o elemento felicidade.

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