slow living no amor
Antes de começarmos a falar sobre slow living no amor quero apenas relembrar que: não sou nenhuma especialista em sexualidade e em relações, tudo o que partilho são técnicas que temos implementado cá em casa.
Ter uma abordagem holistica perante a nossa saúde é saber que as nossas relações têm uma influência enorme na nossa vida (e consequentemente saúde), e fazer o que está ao nosso alcance para eliminar as relações tóxicas, e ter relações felizes com as pessoas de quem gostamos. O melhor que levamos desta vida são as relações que temos uns com os outros, o amor que partilhamos. Eu inspirei com essa certeza, e o post de hoje é centrado em relações amorosas e sobre slow living no Amor.
Slow Living e Minimalismo
Desde que descobri os conceitos de minimalismo e viver mais devagar, comecei a reparar como vivia todas as minhas relações, como é que o meu estado de espirito influenciava todos os momentos com as pessoas que me rodeavam.
O meu casamento é a relação mais importante de todas. Se calhar não devia quantificar mas a verdade é que é mesmo, e foi com o casamento que comecei a fazer mudanças para o viver de uma forma mais devagar – slow living! – estar mais presente e focada.
Vivemos a um passo demasiado acelerado, o que faz com que muitas vezes não estejamos verdadeiramente presentes e conscientes do que se passa à nossa volta. Recentemente partilhei nas redes sociais, que estava mesmo a precisar de me conectar com o David, a nossa ida a portugal foi uma grande correria, e precisávamos de estar um com o outro, sem preocupações, horários para cumprir e burocracias para tratar.
Não foi possível, por isso entrámos numa espiral de stress, a nossa linguagem mudou, começámos a refilar mais um com o outro, a reparar no que o outro não fazia, e estar muito mais sensíveis às coisas que nos irritam um no outro. Conversámos muito sobre o assunto, com a certeza de que estávamos mesmo a precisar de um tempinho a sós.
Felizmente para nós a solução foi fácil, e assim que nos instalámos na Costa Rica, e voltámos a estar presentes um para o outro, todo o stress desapareceu.
Consciência
Mas nem sempre as coisas são assim tão fáceis de resolver, e muitas vezes as rotinas, e a correria do dia a dia faz com que o stress tome conta de tudo, e ganhe proporções gigantes, que não conseguimos controlar. É aqui que é importante estarmos conscientes dos mecanismos que nos voltam a puxar a estar presente para a nossa pessoa.
O que partilho convosco são os nossos mecanismos de slow living, e vêm no sentido de vos inspirar a viver relações mais felizes, e mais verdadeiras. Trago-vos estratégias que temos usado cá em casa, e que nos ajudam a viver um casamento feliz. Nós não pensamos nessa coisa de sermos felizes para sempre. Vivemos com a certeza de que enquanto estivermos juntos, vamos fazer tudo para sermos muito felizes um com o outro, cheios de imperfeições, num casamento igualmente imperfeito, mas a transbordar de amor.
Vamos então às nossas estratégias
LINGUAGEM
A forma como comunicamos tem uma influência enorme nas nossas relações, e muitas vezes não nos apercebemos disso. Quando oiço casais com um discurso de ataque constante, com um tom de voz julgador, sempre a apontar o dedo fico tão triste. Relações onde os elogios acontecem aos soluços, onde não existe carinho nas palavras. Gosto de pensar que a maioria dos casais não é assim, mas é importante, mesmo quando estamos a discutir ter atenção às palavras, para não partirmos para o caminho mais fácil, que é a ofensa propositada.
Evitamos muito discutir de cabeça quente, e usar expressões como “tu nunca”, e dizer coisas demasiado radicais. As palavras podem mesmo magoar-nos muito, e é preciso ter muita atenção do seu perigo.
EGO
O ego é o grande causador de muitos males deste mundo. Já fiz e disse muita coisa que não queria por ter o ego ferido. Hoje em dia estou muito mais consciente, e quando ao primeiro impulso quero atacar, tento perceber de onde é que aquela reacção veio. Se foi o ego ferido, então não o deixo tomar conta. Esforço-me para inverter o discurso e tentar colocar-me ao máximo no lugar do David. Se não estiver a resultar, calo-me, é importante ficar em silêncio quando não se sabe o que dizer.
Estar presente no momento
DESCONECTAR DO TRABALHO
Como trabalho em casa, antes do David chegar a casa do seu trabalho, gosto de ter tempo de me desconectar do trabalho, de parar, respirar. Assim, quando ele chega a casa, eu estou mental e fisicamente disponível para ele. Nos dias em que me atraso e não consigo ter tudo pronto antes dele chegar, noto uma diferença enorme na minha concentração com ele.
Este foi um limite que estabeleci assim que comecei a trabalhar em casa. Quando o David sai para trabalhar, eu começo também, e quando ele sai do trabalho eu paro também. É importante para mim estarmos disponíveis um para o outro, para relaxarmos quando o dia de trabalho termina, isto para nós é um não-negociável.
Para quem não trabalha em casa, aproveitem o trajecto trabalho-casa para focarem os vossos pensamentos e energia nos vossos parceiros. É muito importante voltarmos a casa conectados com a nossa casa e com a nossa família, numa energia de amor e não de stress.
Sexualidade
MEDITAR A NAMORAR
Nos dias em que estou a mil, é difícil fazer com que a cabeça pare para me focar na pessoa que tenho ali à minha frente. Não dá para carregar no botão de desligar. O que faço quando estou desconcentrada e estamos envolvidos fisicamente, é uma meditação consciente. É como lhe chamo!
Em vez de estar a pensar no que ficou por fazer, estou focada no que está a acontecer. Reparo nos detalhes. Onde toquei. Como estão as nossas respirações. O que estou a sentir. O que é que ele está a sentir. Assim aos poucos, vou-me conectando com ele, com o momento e na energia sexual.
NAMORAR COM TEMPO
Fazemos tudo à pressa, até namorar. Grande parte do tempo, achamos que não temos tempo para namorar com calma. Do meu lado, posso-vos dizer que sempre que essa falta de tempo acontece, sempre que eu deixo a vida tomar conta do meu tempo, desconecto-me do David.
Aí entramos numa espiral de negativismo, de pressa, de inflexibilidade, e de fragilidade. É neste momento que os desentendimentos ganham espaço. Se não tivermos cuidado eles tomam conta das relações. Acreditem: é muito fácil viver nesta energia de desentendimento, até a bolha rebentar.
Nas semanas que andamos a mil o que fazemos? Estabelecemos um tempo para namorar um com o outro, sem pressas. Pode parecer parvo, porque é forçado, mas ao fim de dez minutos já não nos lembrámos que estabelecemos aquele acordo.
Mesmo se tiverem sem vontade, a energia do amor aparece, e a conexão é fácil. Para isso tem de haver entrega, coração aberto, e muita vontade de estarem presentes um com o outro, e um para o outro.
Nota: Quando me refiro a tempo, refiro-me a algum tempo. Comecem com uma hora e vão aumentando 10 minutos todas as semanas. Acreditem faz milagres!
Namorar com a pessoa que escolhemos ter ao nosso lado é a melhor forma que temos para passar o nosso tempo. É a melhor coisa que podemos fazer pela nossa relação! Mais do que qualquer conversa, é a entrega, entrega física e emocional. Entregarmo-nos sem medos porque estamos juntos para nos descobrirmos, sem preconceitos, sem egos, sem dramas.
Criem mais espaço e tempo nas vossas vidas, libertem-se de preconceitos e amem muito os vossos parceiros. Viemos a este mundo para nos amarmos, é tão simples.
E desse lado? O que é para vocês o slow living no Amor? Que truques usam em casa? Partilhem!

Olá Cláudia, gostei muito da reflexão. Acho que o primeiro passo é mesmo reconhecer a importância da relação e trabalhar sempre nela. É um investimento constante. Por aqui, reconhecemos a importância de estarmos a dois. Uma coisa simples que fazemos rotineiramente são caminhadas. Nesse tempo falamos calmamente e estamos sem distrações, sem tarefas domésticas, sem telemóveis e sem televisão ao fundo. Sem esforço surge uma comunicação fluida e saudável.
Olá Sofia, bem-vinda ao officinalis. Sim, também adoramos fazer caminhadas, sem distrações para podermos estar mesmo presentes um com o outro, ou numa conversa mais séria que queiramos ter. Obrigada pela tua partilha
Uhau! Grandes dicas! Infelizmente eu fico sempre muito irritada e tensa antes de me vir a menstruação e o meu companheiro por mais que tente não me consegue tirar desse estado e acaba por ele também ficar frustrado. Alguma dica para este meu caso? Beijinho ????
Olá Natacha, bem, não sei bem como te ajudar, porque felizmente não me afecta assim tanto (para além do apetite voraz), mas o que eu faria nesses dias seria tentar estar o mais relaxada, e conectada comigo mesma, e evitar situações ou pessoas que me deixam mais sensível. Um grande beijinho, e obrigada pela partilha.
Olá Cláudia,
parabens pelo artigo. Gostei bastante 🙂
Obrigada Joana, um grande beijinho