projecto 333- mitos e outras considerações, post 3 de 3

 Em minimalismo, Project333, PT

Bem, já vos contei como foi a minha experiência aqui, já vos mostrei que peças usei, agora resta-me incentivar-vos a libertarem-se de alguns preconceitos para que possam usufruir ao máximo deste projecto, ou desafio, como eu prefiro encarar.

Desde que oficializei este desafio, e porque gosto de partilhar as minhas experiências com amigos e família ouvi muitos comentários. Desde comentários de incentivo, perguntas de curiosos, até comentários negativos de como esta ideia é uma grande estupidez. Ainda hoje, quase 6 meses depois, me dizem de como é parvo este meu voto em não querer comprar roupa nova. Eu não me chateio, somos todos livres de ter uma opinião, e o que interessa sempre, e em tudo, é se aquilo que queremos fazer nos faz sentido.

Se repararem os comentários negativos veem normalmente de pessoas que não colocam desafios a elas mesmas, e que estão completamente estagnadas. Querermos evoluir é bom, desafiarmo-nos, experimentarmos coisas novas é melhor ainda. Sim, estou a falar de roupas mas isto aplica-se a tudo nesta vida.

Para mim a riqueza deste desafio esteve muito mais centrada no crescimento interior, do que na vontade de poupar dinheiro. Vivemos muito presos às aparências, às roupas de marca, a querer ter sempre mais, e em não nos contentarmos com o que já temos. O projecto 333 ensinou-me a libertar desses preconceitos, ensinou-me muita coisa mesmo. Estes ensinamentos não irão chegar à pessoa que vos critica, porque essa pessoa em ultima instância é só isso que faz: criticar.

Com este desafio senti pela primeira vez, mesmo à séria, que o que importa é estar bem com o meu corpo. Esta é daquelas coisas que sabemos na teoria, mas que é muito pouco posta em prática, porque temos sempre as roupas bonitas para nos escondermos da nossa própria realidade.  Não me senti, e sinto, menos bonita, só porque num ano e meio comprei 10 peças de roupa, tudo o que estou a usar são de colecções passadas. Algumas destas peças nem sequer me ficam espetacularmente bem, mas não faz mal, porque estou confiante com o meu corpo, mas acima de tudo orgulhosa da pessoa que sou.

Como último apontamento, e algo que ainda não referi em nenhuns dos posts, quero falar sobre repetição e vergonha. Não senti durante este projecto (agora como vos disse 6 meses depois, já sinto alguma falta de variar nas minhas roupas), mas durante o desafio não senti que estava sempre com a mesma roupa, nem recebi qualquer tipo de comentário do tipo: já mudavas de roupa, não? A maior parte destes preconceitos e inseguranças estão na nossa cabeça. Ninguém repara se andamos sempre com a mesma roupa, e se repararem é porque certamente não tem muito para se preocupar na vida.

O meu maior conselho é, desvalorizem o

“Parece mal”
Não vou usar o mesmo vestido em dois casamentos seguidos porque “parece mal”.
Não vou usar roupa em segunda mão porque “parece mal”.
Melhor: não vou sair à noite com mesma roupa que usei na última festa, depois vai-se perceber nas fotos, e “parece mal”.

Quem nunca? Por favor esqueçam o parece mal. Não faz sentido. Não nos vamos limitar com as opiniões que os outros possam ter sobre nós. Reparem, nem é sobre nós, é sobre a nossa roupa, que é ainda mais superficial. A roupa não define quem somos.

Como disse acima, não quero que pensem que me transformei numa fundamentalista anti-roupa, nada disso. Para mim a roupa serve para nos fazer sentir bem, para nos fazer sentir mais bonitos, confiantes. Eu gosto de roupa, e de como esta altera o meu estado de espirito, dá-me alguma personalidade, mas não é tudo. A roupa é só uma camada de um universo muito complexo, que somos nós enquanto seres individuais. E é por isso que toda a gente devia fazer este desafio, para descobrir que existem muito mais camadas em nós, e que as camadas que importam, não são feitas algodão.

 

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Mostrar 7 comentários
  • as minhas escolhas...como o coração.
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    Adorei tudo o que li e concordo a 100% , não haja duvida que “A roupa é só uma camada de um universo muito complexo, que somos nós enquanto seres individuais”. Muitas vezes apenas compramos roupa só porque não estamos bem interiormente, vazios por preencher com muito amor próprio. És uma inspiração Cláudia. Beijinho grande muita Luz, Célia.

    • Cláudia
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      Olá Célia, é mesmo isso! Tu também és uma inspiração, estás certamente a passar esta mensagem, de que o que importa é ser, e não ter. Um grande beijinho

  • Raquel
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    Sou uma pessoa muito insegura em relação ao meu físico e por isso comprar roupa é uma tortura para mim, por isso este desafio é algo que puxaria pela minha criatividade…Mas acho que já faço isso diariamente, porque como acabo por ter pouco, tenho mesmo que jogar com as poucas peças que tenho…Não sei se é o conceito, porque acabo por fazer isso por medo/insegurança, mas um dia faço-o porque sim????

    • Cláudia
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      Bom dia Raquel, facilita ter poucas roupas, porque acabas por usar só as que gostas mais, e te fazem sentir mais confiantes. Experimenta mesmo 🙂 depois diz-me como correu. Um beijinho

  • Filomena
    Responder

    Olá! Descobri hoje o seu blog. Finalmente um blog com um conteúdo que me interessa realmente e com o qual me identifico. Acredito que blogs como este são uma fonte de inspiração e incentivo para muita gente que procura felicidade nas coisas fúteis da vida. Nunca é tarde para mudar… para melhor claro. Muitos parabéns e não desista deste projecto tão bonito. Filomena

    • Cláudia
      Responder

      Olá Filomena, bem-vinda!
      Muito obrigada pelo carinho, bom saber que a tenho por perto. Um beijinho

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