palawan: expedição com a tao

 Em PT, viagens

Este já é o terceiro post sobre Palawan que escrevo no Officinalis. Não vos prometo que vá ser o último, tenho mesmo uma paixão enorme por esta ilha. Como o turismo nas Filipinas está a crescer, principalmente nas ilhas, esta é uma daquelas viagens que têm de fazer antes que Palawan se transforme numa ilha super turística. Já não falta muito…

Palawan

Terceiro post sobre Palawan porquê, perguntam vocês? Já não escreveste o suficiente? Não! Porque aquilo que me levou pela segunda vez às Filipinas foi uma expedição num barco à vela, e uma experiência completamente diferente da viagem anterior.

Vou explicar-vos por pontos em que é que consistiu esta viagem, é mais fácil para estruturar o post.

(aterragem em Coron, voo de Manila a Coron com a Cebu Pacific)

A expedição

É organizada por uma empresa que se chama Tao (significa humano em Tagalong, o dialecto oficial), e que organiza passeios de barco diários, ou até 5 dias, em ilhas remotas nas Filipinas. Link da Tao aqui. 

A expedição que fiz, chama-se Tao Paraw, tem a duração de 5 dias e 4 noites com inicio em Coron e fim em El Nido, ou vice-versa. A expedição é feita num barco tradicional à vela, o maior das Filipinas.

(foto do site da Tao)

Antes da Partida

Na véspera da partida, tivemos uma reunião com toda a tripulação e restantes turistas. Explicaram-nos que aquilo não era um barco para beber álcool e fazer festas o dia todo, mas também não era um retiro de yoga. A experiência estava 10% a cargo da tripulação, que nos alimentava e cuidava de nós, e os outros 90% estava à nossa responsabilidade. Também nos explicaram que durante os 5 dias iríamos viver sem relógio, porque em Palawan vive-se em modo “island time”, e que é viver sem um tempo definido para acordar, para comer, para parar, e que nem valia a pena perguntar a que horas era servido o almoço, ou quanto tempo iríamos ficar a mergulhar. Também nos explicaram que não íamos ter acesso a rede no telemóvel, e que nem sempre iríamos ter acesso a água potável para tomar banho, e eletricidade.

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(pôr-do-sol em El Nido)

Sair da bolha e viver com o essencial

Sair da bolha, viver com o essencial, e estar em contacto constante com a natureza é o nosso tipo de viagem. E eu já sabia antes de começar que ia adorar a experiência em Palawan, mas não sabia que ia ser uma das melhores viagens da minha vida.

As semanas que antecederam a viagem foram semanas de muito stress, muito trabalho, mudança de casa, um cansaço enorme, e por isso de repente estar autorizada a não fazer nada, enquanto me passeio de barco por paisagens incríveis foi a melhor coisa que me podia ter acontecido.

Pus o pé no barco no dia 1, e só voltei a conectar-me com o mundo quando chegámos à ultima paragem no dia 5. Vivi completamente alheada do mundo, limpei a cabeça de preocupações, saboreei cada minuto, vivi no presente. Esta viagem em Palawan era algo que estava desesperadamente a precisar.

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Rotina no Barco

O dia a dia no barco é simples, e para muitos repetitivo. Existe um trajeto para cumprir, por isso grande parte do dia estávamos a navegar. Quando não estávamos em alto mar a apanhar banhos de sol, estávamos a fazer snorkeling, passear por praias paradisíacas ou a comer refeições absolutamente deliciosas.

Ao final do dia, todos os dias, dormimos num campo base diferente, numas casinhas de palha tão românticas que parecem ter sido tiradas de um livro lamechas do Nicolas Sparks. À noite bebíamos jungle juice (rum com sumo de ananás ou sumo de manga), jantávamos e ficámos a conversar com o nosso grupo que era todo boa onda, composto por pessoas dos 4 cantos do mundo.

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Tao: o que é, o que faz

Na terceira noite da expedição dormimos no campo base da Tao. Já sabia que esta empresa se preocupava com a sustentabilidade, mas estava longe de imaginar todo o trabalho que desenvolve. No barco não há desperdício de comida e os materiais são todos reutilizáveis.

Não existem palhinhas e garrafas de plástico, e é tudo cuidadosamente pensado para que não haja mesmo nenhum desperdício. Só isso é de louvar, especialmente nesta parte do mundo.

Produção local

Na ilha mãe produzem vinagres, cultivam vegetais, criam porcos, patos, para que as expedições sejam o mais possível auto-sustentáveis. O que não conseguem produzir na ilha, ou os frescos que são usados nos primeiros dias da viagem, são comprados a pequenos agricultores e pescadores locais. Todo o restante material, como os colchões, almofadas, sabonete, champô, etc. são produzidos e fabricados à mão, pelas populações vizinhas, com quem a Tao tem vindo a estreitar relações.

50% do que se consome nas expedições, sejam as de curta ou longa duração, é produzido na ilha mãe. O objetivo é que até ao final do ano este número aumente para 80%, com o cultivo de peixes que estão a implementar na ilha.

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(a sessão de massagens na ilha-mãe)

Só percebi o impacto da Tao na comunidade quando nos foi explicado que ao inicio foi muito difícil chegar aos moradores destas ilhas remotas. Não percebiam como podiam ser ajudados, não queriam sequer ser ajudados, e viviam em condições muito precárias.

Educação e Trabalho

A Tao começou por montar escolas nas ilhas, depois incentivou as tribos a limpar as ilhas, em troca dando-lhes calçado. Depois ensinou ofícios às mulheres de pescadores. Algumas delas são hoje massagistas (durante a expedição tivemos direito a 2 dias com massagens) ou costureiras. Os adolescentes têm a oportunidade de ir para a escola da Tao, e trabalhar nos barcos, na cozinha, na quinta, ou até nos escritórios.

Tudo foi explicado com um tom humilde. Nem sempre tudo o que fizeram correu bem, para muitas comunidades está a ser difícil aceitar algumas mudanças, como por exemplo ilhas livres de plástico, mas a Tao já percebeu que só pode ir até onde a comunidade deixar.

Nós turistas, ficámos todos com uma vontade enorme de ir para lá trabalhar, e ajudar a mudar aquele mundo, mas não podemos, só filipinos é que podem trabalhar na Tao, e isso mostra o quão empenhados eles estão em trabalhar na sua, e com a sua comunidade.

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Foi também na ilha mãe que percebemos como o nosso dinheiro é bem empregue, e que isto não é só mais uma viagem onde o turista paga pela experiência. Aqui vemos com a Tao investe na comunidade, com a criação de empregos e formação, desenvolvendo uma economia sustentável. Admiro mesmo todo o trabalho que desenvolvem, tudo é pensando ao pormenor. É um projecto cheio de amor.

FAQS desta viagem

Alimentação

Eu era a única vegetariana do barco, por isso fui muito mimada pelo querido Chef. Praticamente todas as refeições tive direito a pratos especiais para mim, absolutamente deliciosos e variados.

Os restantes foram brindados com marisco ou peixe a todas as refeições, alguma carne, muitas saladas e muito filipino power para todos (que é como quem diz arroz). Todo o menu parecia saído de um restaurante com estrelas Michelin, para grande alegria da turistada.

Na noite em que dormimos na ilha mãe fomos recebidos com um jantar de gala, com 8 pratos principais para degustarmos todas as riquezas da gastronomia filipina. Eu mais uma vez tive direito a pratos especiais para mim, e só vos digo que foi das experiências gastronómicas mais ricas de sempre. Perguntem ao David que foi ao céu quando provou o leitão. Durante o jantar não tínhamos as máquinas connosco por isso não temos registo fotográfico deste momento.

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(foto na cozinha da Tao)

Custos

O preço da nossa expedição em Palawan rondou os 500 euros e incluiu, toda a alimentação durante a expedição, dormida nas ilhas e uma massagem na ilha mãe. Basicamente durante os 5 dias não é necessário gastar um cêntimo. Tivemos a fazer contas com o que gastámos antes e depois da expedição, e pelos mesmos dias, pela nossa conta, gastámos mais do que gastaríamos se tivéssemos na expedição. Vale mesmo a pena o investimento!

Paisagem

taoparaw(yep, este verde é real, sem filtros)

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A paisagem foi mudando à medida que os dias iam passando, o que tornou toda a experiência ainda mais enriquecedora. Em nenhum momento nos fartámos da paisagem. Vimos ilhas verdes cheias de palmeiras. Praias ao estilo Seychelles. Populações de pescadores. Resorts de luxo. Ilhas desertas. Ilhas rochosas altíssimas. Corais, peixes exóticos, nemos e estrelas do mar. Deu mesmo para ver tudo.

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As fotografias falam por si. Fiz uns vídeos para partilhar convosco. No entanto, para grande tristeza minha, não têm qualidade suficiente. Entretanto vi este vídeo que mostra tudo. Foi feito por um dos participantes. Não o conheço pessoalmente, fomos em datas diferentes, mas o vídeo está ES-PE-TA-CU-LO!

VÍDEO AQUI

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Mostrar 4 comentários
  • Nana
    Responder

    Deve ser realmente uma experiência incrivel!
    Bj e fk c Deus
    Nana
    http://procurandoamigosvirtuais.blogspot.com

  • Catarina
    Responder

    Wow o paraíso existe.
    Que sítios maravilhosos. Que imagens lindas que nos mostras.
    A avaliar pelas fotos e pelo teu relato contigo compreender perfeitamente porque dizes que foi uma viagem inesquecível.
    Obrigada pela partilha.
    Beijinho enorme e boa semana.

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