o que comer em viagem

 Em PT, viagens

Ou melhor, o que é que eu ando a comer em viagem!

Acredito que esta viagem aconteceu na altura certa, pelo menos no que diz respeito à minha alimentação, porque estou na fase mais tranquila de sempre. Desde que me tornei vegetariana, há pouco menos de 4 anos já tive várias fases, umas mais radicais (sem ovos, sem queijo, sem manteiga) e outras mais relaxadas.

Com o tempo encontrei o meu equilíbrio. Tenho os meus não-negociáveis (comer animais), e a partir daí sou mais ou menos flexível, mesmo sabendo de toda a crueldade das indústrias dos ovos e dos lacticínios (chamem-me hipócrita), mas a verdade é que demorei muito tempo a estar em paz com estas escolhas.

Isto tudo para vos dizer que uma mudança alimentar não é uma tatuagem que fazemos e nunca mais sai de nós, mas sim um processo,  que não tem de durar a vida toda. É possível que daqui a uns tempos volte a mudar. Muitas vezes agarramo-nos à ideia de um regime alimentar, e não nos questionamos se ainda nos faz sentido, fisicamente e até ideologicamente.

Comecei por dizer que esta é a melhor fase em termos alimentares, porque tenho estado muito tranquila. Desde que me tornei vegetariana, que as viagens são sempre causa de alguma preocupação com as opções que tenho, que se agravaram ainda mais quando deixei de comer glúten (este não foi por opção, mas sim por motivos de saúde, para grande mal dos meus pecados…). Curiosamente esta viagem ando pouco preocupada com a minha alimentação, e estou muito feliz com isso. Em baixo, explico melhor como este processo está a acontecer e o que ando a comer em viagem.

Número de Refeições

Nos primeiros dias na Costa Rica, e por causa do jet lag, adormecíamos às 18h, e acordávamos às cinco da manhã. Entretanto já estabilizámos e descobrimos o nosso equilíbrio, deitar por volta das 21h, acordar entre as 5h e as 6h da manhã (alerta velhadas!). Tenho AMADO este horário, e espero ganhar este hábito, porque aproveitamos muito o dia (e farto-me de dormir). Estes horários têm-se refletido claro nas refeições e no que andamos a comer em viagem, que são normalmente três por dia.

Jejum Não-Intencionado

Sempre tive muita curiosidade em experimentar o jejum intermitente, mas devido ao monstro devorador que existe dentro de mim ainda não tinha dado o passo. Mas a verdade é que ao deitar tão cedo, não apetece nada jantar coisas pesadas. E com este intervalo muito maior sem comer, tenho tido digestões santas, nada de inchaços, tenho comido o que me tem apetecido (o que inclui coisas que não são assim tão boas para os meus intestinos). Acredito que é esta pausa que me tem “safado” dos inchaços do costume porque agora o meu corpo tem tempo para digerir tudo. Para além disso sinto-me muito mais leve e em sintonia com o corpo.

Refeições: o que comer em viagem

Finalmente! Dizem vocês. Vamos lá a isso: o que é que eu ando a comer em viagem?

Pequeno Almoço

// entre as 7h00 e as 8h

Nos hostels ou hotéis que têm pequeno almoço tenho comido huevos revueltos (que é como quem diz dois ovinhos mexidos) com meia papaia.

Eu e os ovos temos uma relação um bocado esquizofrénica. Tenho fases em que não suporto a ideia de comer um ovo, e tenho outras em que estou em paz com isso. Estou neste momento numa fase de paz.

Quando estamos por nossa conta comemos granola com iogurte (de vaca infelizmente, ainda não encontrei opção vegetal), mas evito ao máximo. Quando ficamos em apartamentos, fazemos uma tigela de batido com granola, ou um grande batido verde.

Almoço

Nunca tem hora certa porque depende muito do que andamos a fazer, se passamos o dia em viagem, então o almoço é só por volta das 16h, o que me deixa cheia de fome.

Almoço Voltante

Abacate esmagado com tortitas de milho ou de arroz (as de arroz têm sido dificies de encontrar, infelizmente) com fruta.

Almoço Fora

Estamos rendidos ao casado, um prato típico, muito baratinho e nutritivo, como podem ver pela foto. O tradicional tem frango, o adaptado pode ter queijo ou ovo. Normalmente peço a versão simplificada: arroz, feijão, salteado de vegetais ou salada, e banana (ando completamente viciada nestas bananas caramelizadas!)

CASADO-COSTARICA

Almoço em Casa

Quando temos cozinha cozinhamos em casa, gosto muito de sentir que tenho algum controlo nas minhas refeições. Cozinhamos o que está disponível no mercado, sempre ingredientes locais, o que nem sempre se reflete em muita variedade, mas sempre muitos vegetais.

Snacks

Fruta, frutos secos, tortitas de milho ou arroz

Jantar

// até às 18h

Ao jantar normalmente bebemos um batido na rua ou petiscamos qualquer coisa leve, mas depende de como foi o nosso almoço. Se o almoço foi leve (tortitas com abacate e fruta, então o jantar é uma refeição completa. Se o almoço foi pesado, então o jantar é muito leve, o tal batido, por exemplo).

É engraçado como o meu corpo se adaptou tão bem a estes novos horários. Não tenho passado fome, zero fome mesmo. Durante o dia como bem, tudo o que me apetece e quando me apetece, e a partir das 18h o meu corpo não me pede mais nada.

Tem me feito muito sentido esta alimentação intuitiva, e sinto que cada vez mais que é por aqui o meu caminho, hei-de aprofundar mais sobre este assunto aqui, porque esta forma de pensar está mesmo a mudar a minha vida. Ainda me surpreendo como estamos sempre a evoluir, e o nosso corpo também.

A nossa despensa

claudiaviagem

É mais ou menos isto quando não vamos cozinhar, fruta, granola, tortitas, chá, pólen, proteína, e claro o nosso kit de refeições, cantil, conjunto de talheres e guardanapo e canivete.

O que trouxe para a viagem

Vim um bocado carregada para a viagem, e estou arrependida, mas pronto, aprende-se com os erros.

  • um pó tipo “super greens cujo o sabor não era nada bom ficou para trás, doei-o. Achei que ia sentir falta de verdes, porque sou uma viciada, mas tenho tido muitas opções, e tenho comido muitas saladas.
  • proteína de ervilha da Iswari. Tenho usado pouco, mas sei que ainda me vai dar muito jeito
  • pólen de abelha. Uma estreia completa para mim. Era impensável para mim comer pólen de abelha, pela forma como é extraído, mas decidi experimentar pelo seu alto valor nutricional, e não me arrependo. Em viagem o meu sistema imunitário vai muito abaixo, e eu estava com muito medo. Não sei se voltarei a comprar mas para já tenho usado e tenho gostado.

Resumo do que comer em viagem

  • Ter sempre granola para acompanhar com batidos e iogurte
  • Ter sempre frutos secos e fruta
  • Ter alguma flexibilidade mental, e saber que os recursos que temos disponíveis em viagem são sempre diferentes dos que temos em casa, nem a vale a pena entrarem em comparações
  • Pesquisar restaurantes, mercados e lojas que se enquadrem com as nossas escolhas
  • Cozinhar em casa sempre que possível
  • Utilizar ingredientes de origem local
  • Estar aberto a experimentar comida local, novas texturas, sabores, combinações e ingredientes

A palavra de ordem nesta viagem, e também por saber que vou estar alguns meses a viajar, tem sido flexibilidade. Tenho tido menos dramas mentais. Sim, esta não é a minha alimentação no dia a dia (comer ovos e iogurte), mas é isto que tenho disponível neste momento, o meu corpo está a reagir bem, e é tudo o que me importa nesta fase. Este é um post para vos inspirar a encontrar o vosso ponto de equilíbrio, e não se deixarem levar só pelos preconceitos que vamos criando nas nossas mentes em relação à nossa alimentação. Façam e comam sempre o que vos fizer sentido. Alimento é acima de tudo energia, não deve ser fonte de culpa e preocupações.

E  vocês? Partilhem as vossas dicas também, o que comem nas férias?

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Mostrar 6 comentários
  • Teresa
    Responder

    Olá Cláudia,
    Que post tão inspirador! Também estive em viagem e tive de ceder em algumas questões alimentares. Bebi iogurtes líquidos (que não consumia há seculos) e fi-lo sem qualquer drama. Há que haver flexibilidade e nada de fundamentalismos e “extremismos” porque senão as férias transformam-se num stress – e não é isso que se quer em férias 🙂 Beijinhos e continuação de boas aventuras

    • Cláudia
      Responder

      É mesmo isso Teresa, concordo inteiramente, obrigada pela tua partilha. Um grande beijinho

  • Catarina
    Responder

    Olá Cláudia!
    Tu és realmente uma pessoa muito inspiradora e este post reflete mais uma vez isso mesmo.
    Gosto da tua sinceridade, gosto da forma descontraída e descomplicada com que encararas a vida.
    Obrigada pela tua partilha e obrigada pela inspiração que me trazes.
    Vou este fim-de-semana de férias e vou certamente lembrar me do que dizes aqui e vou desligar o “descomplicometro”.
    Beijinho enorme e continua a aproveitar a vossa viagem sempre com muito amor no teu coração.

    • Cláudia
      Responder

      Olá querida Catarina, muito obrigada por todo o carinho, e diverte-te mil nas férias! Um grande beijinho

  • Núria Viana
    Responder

    Bom dia. Gosto muito do seu blog e dá-me realmente dicas inspiradoras para quem pretende implementar na vida o desperdício Zero (estou no caminho).
    Adorei os talheres de bambu. Pode dizer-me onde os comprou?
    Obrigada,
    Núria

    • Cláudia
      Responder

      Olá Núria, obrigada. Os talheres comprei juntamente com o kit, mas poderá comprar brevemente na Maria Granel, em Lisboa.

      Um beijinho

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