entrevista a Nuno Mota, Alho Francês

 Em vida holística

O Nuno, ou Alho, é cozinheiro e blogger no Alho Francês. Ele chamou-me à atenção pelo seu tom descontraído, e por trazer muito da sua personalidade para o blogue. Gosto muito, e cada vez mais acho que faz sentido.

Quando leio um blogue não vejo só o conteúdo, a cara por trás tem de me conquistar, e o Nuno conquistou. Fiquei muito feliz quando ele aceitou responder a umas perguntas aqui para o officinalis. Este mês falamos de cozinha holística, e eu achei pertinente ter a opinião de alguém que está muito ligado à cozinha. Apesar do Nuno não cozinhar nada de origem animal, trabalha num ambiente que o obriga a cozinhar carne e peixe, e eu estava muito curiosa para saber como é que ele lida com isso.

Espero que gostem tanto quanto eu!

Uma vez que que és cozinheiro profissional, e que trabalhas num ambiente onde tens de cozinhar com carne e peixe, como lidas com isso?

O brio que tenho faz-me “saber” contornar isso. Existe uma grande diferença entre o que tens de fazer e o saberes o que estás a fazer. A consciência que tens ou não faz toda a diferença. Obviamente num mundo cor-de-rosa eu recusar-me-ia a fazer o trabalho que faço. Mas não é assim… Preciso de trabalhar, preciso do ganha-pão e essa liberdade que ganho permitiu-me criar o Alho e trabalhar como quero nele. Win Win.

O que é que te levou a deixar de consumir produtos de origem animal?

Na minha casa, várias por todas as vicissitudes de ser emigrante, não entram produtos de origem animal, é o meu compromisso. Tudo mudou quando vi um documentário de nome “Cowspiracy” que foca entre muitas coisas a destruição do planeta em prol do alimento do gado que por sua vez tenta responder ao consumo humano. Tenta, mas não consegue. Se não amarmos a nossa casa…

No teu blog, o Alho Francês,  como funciona o processo criativo ao desenvolveres uma receita?

Sinceramente, não sinto que tenho esse processo tão vincado como “deveria”. Tudo é muito natural felizmente, cozinho para mim e para os meus, e de vez em quando (felizmente muitas) passam para o blog, lá está como é para ti fazes com o amor todo possível e como o objetivo principal do blog é a partilha, partilhas com as pessoas.

Que critérios fazem parte desse desenvolvimento criativo?

Não passa de ir aos sítios, cada vez mais e melhores, onde podes tocar, cheirar, sentir… Adoro ir a lojas que gosto sem nenhuma ideia e sair de lá cheio de notas e ideias novas. É esse o meu processo criativo mais funcional.

Qual a mensagem que queres passar com o alho-francês?

O mote do blog, são muitos, mas como em tudo na vida tenho um top, contudo gosto de quase todos portanto tomem lá: Mote Principal – Nós somos o que comemos.

Sabor, Sabor e Sabor, textura, variedade, verdadeiro.
Poucas Confecções.
Ciclo do Dinheiro.
Saber as propriedades de cada um. Ex- Feijão e Arroz para os Brasileiros – Mitos da obtenção da Proteína
Saúde
Estudar, Ter Consciência das escolhas que tomamos. Estudar, Investigar.
Excesso de consumo de Carne e Peixe nas mesas Portuguesas.

Não venho aqui pregar o vegetarianismo, mas sim oferecer alternativas para qualquer família.
Abrilhantar os vegetais. Vegetal cozido não é aborrecido.

Porquê o nome Alho Francês?

Esta vai ter que ser respondida em copy paste. Afinal estamos a falar da minha identidade. Tem de ser assinada sempre da mesma maneira.

“Olá, sou o Francês, Alho Francês”, soa melhor que “Olá sou o Perdiz, Batata olho Perdiz”. Que aproveito para dizer é das minhas batatas favoritas! Escolhi Alho Francês porque a palavra “Francês” dá o toque de classe. É um alimento muito polivalente, um legume aromático muito poderoso. Sinceramente gostei muito de como soava. Pegou de estaca.

Que projectos tens para o blogue? E para a o teu percurso profissional?

Os meus planos para o futuro do blog Alho Francês são imensos. Há muita coisa que quero fazer. Mas no fundo quero fazer o que eu quero. Sem imposições, sem obedecer a ninguém sem ser a minha corrente naquele momento. Quero conseguir o meu espaço e, nesse sentido, o Alho Francês é o meu ex-libris para esse efeito. É o meu escape, é o meu orgulho. A nível profissional é ir vivendo desde que faça sentido.

Que conselhos dás a quem não gosta de cozinhar, especialmente pratos vegetarianos?

O amor que temos pelas coisas faz toda a diferença. A obrigação molda tudo, condiciona. Pah, é cliché eu sei mas é a verdade. Quando queres fazer as coisas elas saem melhor. Se começares a comer melhor a tua vida fica melhor. Responder as necessidades é pragmático, satisfazer é todo um outro mundo. Para mim não existem “pratos vegetarianos”, se me faço entender. Rótulos… Só servem para desvirtuar. Existe alimentação. E garanto-vos, os pratos do Alho alimentam o corpo e a alma.

Este mês no officinalis falamos sobre cozinha holística. Como sabemos, cozinhar vai muito além de seguir uma receita. Tens algum ritual quando cozinhas em casa? De que forma é que para ti a cozinha pode ter uma abordagem multidimensional?

Vou-me repetir um pouco mas a chave, para mim, é o amor. Todo o resto é bónus ou “tempo perdido”, dependendo sempre do interveniente em questão. Respeito, tenho a minha própria crença, mas não a prego a ninguém por ser demasiado pessoal. Sejam felizes e o resto virá por acréscimo.

Para terminar, fala-nos um pouco sobre ti, e onde te podemos encontrar!

Simples e sem rodeios podem me encontrar em alhofrances.pt ! Existem filtros claro, mas não filtram a minha personalidade. Filtram o tom. Sigam também o instagram www.instagram.com/alhofrances e o facebook www.facebook.com/alhofrancespt !

Aproveito para agradecer este momento. Identifiquei-me contigo desde a primeira abordagem. Continua assim. Sempre que precises do Alho, apita! Esta entrevista foi escrita a ouvir o “sem cerimónias” dos Mind da Gap, respostas sem cerimónias, obviamente.

Gostaram da entrevista? Identifico-me muito com a abordagem do Alho Francês, passem pelo site dele (que está lindo), e acompanhem-no pelas redes. Quem por aqui já o conhecia?

Um dia cheio de sol interior,

claudiasignature

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