Dicas para quem não gosta de cozinhar

 Em PT, vida holística

Como sabem este mês o tema do Officinalis é cozinha holística. Porquê cozinha holistica? Porque o acto de cozinhar tem muito mais camadas para além de uns tachos e panelas, ervas aromáticas e seguir uma receita, e vocês vão perceber isso com o Detox Holístico da Primavera que podem descarregar gratuitamente aqui. Este post é para quem não gosta de cozinhar, mas também para quem saber como cozinhar melhor.

Para muitos, cozinhar é apenas uma obrigação. E há quem não gosta de cozinhar. De facto somos obrigados a comer para sobreviver, mas isto deve ser visto como uma dádiva e não como um fardo, tudo depende da forma como encaramos esta tarefa.

O que vos trago são algumas dicas de como podem tornar esta tarefa menos pesada e mais feliz. Este é um post especialmente dedicado a quem sente que precisa de se alimentar melhor, mas que não gosta de cozinhar e não sabe muito bem como.

CONHECER OS SEUS GOSTOS

Existem pessoas que assumem, algumas até com algum orgulho, que não gostam de comer. Quando me cruzo com alguém assim, desconfio, provavelmente é porque ainda não experimentou o prato, ou pratos da sua vida.

Encontrar alegria na comida é como procurar um homem para casar. Quando se prova sabe-se que é o “tal”, mas até lá é preciso procurar e experimentar.

É importante, para quem não percebe muito de cozinha, ou não tem ânimo a cozinhar, conhecer bem o seu paladar. Saber que combinações de temperos e ervas aromáticas prefere, conhecer os ingredientes, e explorar todo este universo, mas esse conhecimento só se adquire com o tempo, e a testar muito.

Se pensarmos na gastronomia de cada país, existem centenas de formas de cozinhar o mesmo ingrediente por esse mundo fora, porquê é que nos limitamos tanto?

Dica: façam uma lista dos vossos ingredientes preferidos e explorem o vosso paladar. Cada corpo ajusta-se melhor a certos tipos de ingredientes e até de confecção, tenham isso em conta, e sigam a vossa intuição.

EQUIPAMENTO

Não gosto de generalizar, mas a maioria das pessoas enquadra-se numa destas personagens. O comprador compulsivo, ou o minimalista forreta.

O comprador compulsivo acha que precisa de ter o último modelo de pequenos eletrodomésticos, ou de utensílios de cozinha (eu já caminhei para este lado, felizmente travei a tempo!). Não importa se usa muito ou pouco, o que interessa é que está sempre pronto para fazer aquele bolo com a forma especifica, mesmo se nunca o fizer.

Imagino o minimalista forreta a ser o típico estudante universitário. Lembro-me quando fiz Erasmus, um ano em Itália a viver com amigos. Cozinhávamos muito em casa mas era tudo à base de enlatados, massas, arroz e pão de forma com doce, porque o que queríamos mesmo era poupar a mesada para ir viajar. Na cozinha da nossa casa alugada constava o básico e nada mais do que isso.

É importante encontrar um equilíbrio entre estas duas personas. Para quem não sabe por onde começar ou não gosta de cozinhar, comecem por explorar uma técnica ou utensílio de cada vez, em vez de achar que precisam mesmo de tudo para melhorar os vossos dotes. A cozinha faz-se cozinhando, e existem muitas formas alternativas para alcançar o mesmo resultado.

Por exemplo, querem experimentar fazer noodles de courgette. Podem antes de comprar uma espiralizadora usar o descascador de batatas, e cortar finamente a courgette. O resultado não vai ser o mesmo, mas é uma boa forma de ficarem a saber se vale a pena o investimento. Comecem pequeno, simplifiquem. Vão construído o vosso enxoval aos poucos.

Do lado oposto, para quem tem muita coisa a minha proposta é uma limpeza regular aos armários. Da mesma forma que tratam a roupa. Vale a pena ter esta fritadeira se há 3 meses que não faço fritos? Provavelmente não, e existe uma solução para isso, chama-se OLX.

BATCH COOKING ou cozinhar em grandes quantidades

Esta técnica é muito aborrecida. Ninguém quer comer a mesma sopa de cenoura a semana toda. Variar é bom, e nutricionalmente é muito importante, felizmente existem formas de contornar isso.

batch com variedade

Até não se importam de comer 3 dias seguidos caril de legumes, mas é importante variar no acompanhamento, certo? Parece uma técnica muito básica, é, mas a verdade é que variar no acompanhamento faz-nos sentir automaticamente que estamos a comer um prato diferente.

Claro que não vale trocar arroz basmati por arroz carolino. Sejam criativos, num dia acompanham com salada, no dia seguinte com uma quinoa bem condimentada e frutos secos. Ao terceiro dia acompanham com batata doce assada, e variem sempre as ervas aromáticas, é incrível o poder que estas têm em alterar o sabor de um prato.

congelar

Em casa não congelo comida. O meu congelador consiste em fruta congelada, pão do David e gelo (o David tem uma grande obsessão por gelo. Pode faltar tudo na nossa casa, mas NUNCA pode faltar gelo). Adiante, pessoalmente não congelo comida porque ando sempre a experimentar receitas, e trabalho a partir de casa, tenho muita flexibilidade, mas o comum mortal não tem, e precisa de criar mecanismos para comer melhor, am I right?

O ideal é investir ao fim de semana, umas horinhas a cozinhar comida deliciosa para comer durante a semana. Depois é só intercalar entre as várias coisas que fizeram. Levar uma marmita gostosa para o trabalho, e manter esse hábito, é a melhor forma de manter a paixão pela cozinha acessa.

COMER É CONVIVER

Em Portugal somos os maiores nesta matéria. Os encontros entre familia e amigos são por norma à volta da mesa. Comer é, a meu ver, a forma mais nobre de convivo, se a comida for deliciosa melhor ainda.

Para quem não gosta de cozinhar, uma das formas mais básicas para aprender a gostar, é a cozinhar para os seus. Perder o medo, experimentar a receita, cozinhar com amor e convidar os amigos. Cozinhar tem muito de cuidar, e se são cuidadores por natureza, é possível que esta tarefa se torne um prazer.

SEGUIR A RECEITA

Para quem não percebe muito e não gosta de cozinhar, não tem um pensamento critico perante a confecção, e não sabe bem conjugar ingredientes, não há problema. Já fomos todos assim. Ninguém nasce ensinado, e o que importa mesmo é começar.

Numa primeira fase o meu conselho é: sigam receitas. Receitas simples, com ingredientes que adoram e que vos são familiares, e de fácil acesso Já repararam que as receitas do officinalis são bem simples?  Eu uso sempre a mesma base de ingredientes. Quero inspirar-vos a descomplicar, e se não sabem por onde começar, espreitem as minhas receitas.

POR ONDE COMEÇAR

Não existe uma ordem certa mas eu começaria por fazer um inventário à cozinha.

  • Que tipo de equipamento tenho, para que serve, e quando foi a última vez que usei.

O segundo passo, analisar o inventário e fazer uma limpeza com base nas conclusões.

Terceiro passo: atacar a despensa, que tipo de ingredientes têm, ver prazos de validade, dar o que não usam a familiares ou amigos.

Quarto passo: pesquisa de receitas. Começar com receitas de dificuldade fácil, rápidas e mais uma vez, com ingredientes que vos são familiares. Vão tirando notas, e repitam o processo, até já saberem cozinhar aquele ingrediente ou prato sem precisar de receita.

Quinto passo: agora que já estão mais confortáveis, há um mundo de possibilidades à vossa espera. Explorem restaurantes diferentes, gastronomias diferentes, e tirem as vossas conclusões. Tendemos muito a visitar o mesmos restaurantes de sempre, desta forma o nosso paladar não evolui.

Conclusão para quem não gosta de cozinhar?

Como viram, estas dicas são simples e facilmente alcançáveis. Como disse, para a maioria de nós, o gosto pela cozinha vai-se ganhando com o tempo e com a experiência. Espero que com esta lista tenham ficado com uma ideia de por onde começar, e cheios de entusiamo para se tornarem nuns master chefs.

Partilhem a vossa experiência nos comentários. Que tipos de cozinheiros temos por aqui?

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Mostrar 6 comentários
  • as minhas escolhas...como o coração.
    Responder

    Adorei o texto, os conselhos, o tema e adoro o blog.
    Eu não gostava de cozinhar, ainda não gosto muito, eu e cozinha tínhamos uma relação de incompatibilidade, cozinhar era um fardo, uma obrigação. No entanto, no meu íntimo havia um gosto pela comida saudável e ia lendo algumas coisas, seguindo blogs mas depois chegava à cozinha e nada fluía, limitava-me a fazer sopa para comer “saudável” e nada mais. A maior parte dos meus almoços e jantares eram apenas sopa e peixe. Se me perguntarem se me cansava, as vezes sim mas era a única forma que tinha de comer “mais saudável” e sem passar tempo na cozinha, como estava errada! Entretanto, tive um quadro de doença que me levou o ano passado a internamento hospitalar e mais uma vez o Universo mostra-me o lado reverso da vida, eu Acredito que não foi por acaso, e não foi! Todos nós somos capazes, vasta querer. Eu disse a mim própria, “Mais uma vez muda, desata essa nó, começa a cultivar o amor no ato de cozinhar, amor próprio porque estás a cuidar de ti, gratidão com a natureza porque te oferece os alimentos que necessitas e te dá a oportunidade de os confeccionar”. Começo a seleccionar receitas com as quais me identifico para fazer dando-lhe o titulo “As minhas escolhas…com o coração” assim surgiu a minha conta no instagram. Agora tenho em mãos o projecto da minha horta biológica. Se tenho jeito para a cozinha? Não, mas não vou desistir de aprender nem deixar de cozinhar. E acredito que daqui algum tempo já terei algum “jeitinho”.
    Para me motivar na cozinha faço o seguinte:
    Planeio as minhas refeições da semana
    Faço uma lista dos ingredientes que necessito
    Faço compras semanais
    Coloco musica zen, porque stresso muito
    Encaro o ato com muito amor e gratidão
    Obrigada Cláudia por tudo o que me e/ou nos inspiras. Um bem haja do tamanho do mundo.

    • Cláudia
      Responder

      Obrigada eu por toda a partilha, e pelas dicas! Fazem todo o sentido para mim, e espero que a tua partilha seja também um incentivo para todas as pessoas que estão na fase “sopa e peixe” como tu já estiveste. Super grata por te ter por aqui. Um grande beijinho

  • Krystel
    Responder

    Bem, vou guardar este artigo nos meus favoritos, pois uma leitura não foi suficiente. Eu gosto muito de comer (tal como já encontrei o homem e casei ;-)) e sei bem o que gosto e o que não gosto…o que me falta é gosto. Não pela comida, mas pelo ato de cozinhar. Filha e irmã de chef, cresci a comer bem e a ver cozinhar, mas acabo, agora que vivo na minha casa, a cozinhar muito pouco.
    A técnica do “batch” (que também uso para o meu trabalho) é o que acabo por usar, mas sem muita criatividade.
    O marido faz o outro oposto: quando cozinha, cozinha com toda a criatividade, perícia e vontade do mundo!

    Eu infelizmente, passo a maioria do tempo a sonhar com a vontade para fazer esses pratos de que tenho tal igual vontade…

    Excelente artigo que vai ser lido e relido!

    • Cláudia
      Responder

      Olá Krystel, obrigada, bem-vinda ao officinalis. É um gosto que se vai ganhando, e que se trabalha todos os dias. Gostas de cozinhar com o teu marido? Pode ser uma tarefa que fazem juntos. Cá em casa só resulta se cozinharmos coisas diferentes. Um beijinho

  • Maria Cristina Naves
    Responder

    Gosto de saborear comidas apetitosas, mas detesto cozinhar. Sorte minha que meu esposo tem perfil contrário – aprecia cozinhar e inventar receitas.

    • Cláudia
      Responder

      Olá Maria Cristina, ahaha, ainda bem que há alguém aí por casa que goste desta arte.

      Bons cozinhados

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