como ter relações mais felizes
Hoje trago-vos algo muito pessoal, em jeito de festejo dos dias namorados. Como adoro mesmo falar de amor e pensar sobre o amor, decidi abrir-vos o meu coração, naquele que é o post mais pessoal de sempre, para vos contar como é que eu vivo o meu amor todos os dias. Neste caso este post é focado no amor-marido mas o que aqui vou dizer aplica-se a qualquer relação.
Tenho uma sorte enorme. Para mim esta vida já está ganha porque encontrei o David. Vivo o amor que sempre quis viver, e literalmente, todos os dias me pergunto como pude ter tanta sorte, mas no fundo sei que não foi só sorte. Sei que há entre nós um compromisso diário para nos fazermos felizes. Se vai ser sempre assim? Não faço a mínima ideia, cá em casa não nos temos como garantidos. Por muito que eu queira o que tenho hoje para sempre, é impossível prever, e isso é assustador mas obriga-nos ao tal trabalho diário.
E aqui vamos ao primeiro ponto.
Muitas pessoas queixam-se que não têm sorte no amor, mas frequentemente essas pessoas vivem relações durante anos com pessoas que sabem que não as preenchem, ficam presas com quem não cumpre as suas expectativas, e vivem nesta bola de neve, provavelmente por medo de não encontrarem melhor.
O amor próprio
Talvez pelo facto de ter começado a namorar muito tarde, e de ser a típica adolescente patinho feio, habituei-me a estar sozinha, e gostar de mim (já que os rapazes não gostavam, ah ah). Mesmo patinho-feio, era selectiva, não fui uma daquelas adolescentes que namora com o primeiro que lhe aparece à frente, e isso fez-me ganhar estaleca para saber estar sozinha.
Se soubermos estar bem com a nossa solidão, evitamos relações “merdosas”.
Não é um exercício fácil, é um exercício de amor-próprio, que nos faz questionar se a pessoa com quem estamos nos merece. É este exercício que temos de fazer na fase em que estamos a sair com alguém, e não sabemos se é a pessoa certa para nós.
É como diz o psicólogo Quintino Aires, “se há dúvidas é porque não há dúvidas”. Não percam tempo, criem espaço nas vossas vidas para as pessoas certas entrarem.
Como já disse, tenho um enorme orgulho neste amor, que me preenche todos os dias, mas como é óbvio não tenho uma relação perfeita. Há dias em que sou injusta, refilona, que nos chateamos por coisas que não interessam para nada. Há fases super apaixonadas, e há outras fases em que a rotina toma conta de nós, e os dias vivem-se em modo piloto automático. E é por não ter uma relação perfeita que quero partilhar convosco os exercícios que vamos fazendo cá em casa, e que nos ajudam e muito a manter esta harmonia e amor.
Dizer o que vos vai na alma.
Eu sei que esta é tão velha que facilmente se torna cliché, mas para nós esta é a base de tudo. Conversar, manter o dialogo aberto, e não ter medo da nossa fragilidade.
Até hoje só tive dois namoros sérios. E aprendi tanto com os erros do primeiro, que com o David recusei-me a repetir. Lembro-me no dia em que oficializámos o nosso namoro, de ter pensado, com o David não vou amuar, vou dizer sempre o que estou a sentir.
E assim foi. Eu era uma daquelas namoradas ridículas que à pergunta de “o que é que tens?” respondia “nada”. E era capaz de ficar dois ou três dias amuada, só para provar o meu ponto de vista. Tinha um medo enorme de ser sincera porque achava que eu gostava mais dele do que ele de mim, e vivia nessa insegurança de não o querer afugentar.
Quando mudei a minha postura, mudei também a forma como vejo o amor, e as relações. O amor não serve para nos alimentar o ego, mas sim, para nos fazer felizes. Isto parece mais fácil de dizer, do que fazer. Ter isto em mente é quebrar com todas as barreiras, a do ego, a do orgulho, a do medo, da perfeição, e entregar o nosso coração à pessoa com quem estamos.
Quando percebi isso, mudou tudo. Hoje em dia não perco tempo com amuos, porque todo o tempo que tenho quero estar bem com o David. A vida é demasiado curta para vivermos amargurados, e para perdermos tempo com o jogo das adivinhas, e tentar perceber o que se passa cabeça do outro. Este dialogo de mente aberta e sem julgamentos ajuda-nos a corrigir o que está mal mais facilidade.
Nós não damos tempo de antena ao ambiente esquisito. Se há um ambiente esquisito falamos sobre o assunto, identificamos o problema, e traçamos um plano para melhorar. Já fizemos planos que não resultaram, promessas que não foram cumpridas, e é aqui que a exigência entra em campo.
Ser exigente
Sou exigente com o David, cobro, porque também quero que ele seja exigente comigo.
Não resulta se sentirmos que a balança não está equilibrada, que há alguém a dar mais do que a receber. Sejam exigentes, convosco, e com a vossa cara-metade. O amor é mesmo isso, dar e receber amor, não tenham medo de dar, não tenham medo de receber, e acima de tudo não compliquem.
Tempo
Vivo o meu amor de uma forma muito intensa. Se estou em casa a trabalhar e está quase na hora do David chegar a casa começo a ficar inquieta. E se ele está por casa, a vontade de trabalhar é nula. Adoro estar sempre com ele, seja a fazer coisas chatas, tipo limpar a casa, ou de férias a explorar os himalaias. Desconcentro-me quando ele está por perto e fico triste quando um de nós tem de sair porque quero absorver todos os minutos com ele. (sim, sou um bocado tontinha), ele também é assim. Somos lapas quando estamos juntos, não nos largamos um minuto, mas quando é preciso ir às nossas vidas, vamos. Não deixamos de fazer o que gostamos, seja sozinhos, seja com outras pessoas, para estar um com o outro. Nem nos arrastamos para os hobbies um do outro só porque não “fazemos nada sem o nosso mor”. Somos muiiiiito diferentes, por isso tivemos de encontrar um equilíbrio entre as coisas que temos em comum e as nossas diferenças. No que diz respeito às coisas que temos em comum como acampar, fazer caminhadas, viajar, fotografar, usamos e abusamos. E quanto às coisas que não gostamos, nem sequer fazemos juntos (tipo eu ser a buddy de escalada dele, jamais em tempo algum).
É importante que os casais não vivam um para o outro, que encontrem coisas que gostem de fazer separadamente, e que sejam independentes. É preciso deixar o ninho para sentir falta dele, certo?
É preciso admirar
Voltando às diferenças, uma das coisas que o David me ensinou é que para amar é preciso admirar a pessoa com quem estamos, por tudo aquilo que ela é e aspira ser. Nunca tinha pensado nisso, até ele ter dito que me admira muito como pessoa. É possível admirar alguém que é tão diferente de mim? É!, percebi mais tarde, e são as coisas boas que admiro nele que almejo ser.
Para ser mais concreta ele admira o meu espirito de quem se atira de cabeça para tudo, de pessoa que adora estar metida em novos projectos, e quer é fazer coisas. Eu claro que admiro o oposto (e trabalho todos os nesse sentido), ser mais ponderada, focada, perfeccionista, selectiva. Ele tem me ajudado muito a aprender a viver com mais calma, e a saber esperar, é uma espécie de travão da minha mente, ao mesmo tempo que me dá carta branca para eu fazer o que quiser com os meus sonhos.
Se estão com alguém neste momento façam esse exercício, o de perceber o que admiram nessa pessoa, e relembrem-se disso todos os dias.
2 exercícios práticos
Agora que já abri o jogo, vou partilhar convosco exercícios que fazemos a dois, e que nos ajudam muito. Não quero de todo passar a ideia de que tudo é perfeito cá em casa, mas quero vos dizer que quando agimos de coração aberto, sem julgamentos, e em paz, é possível encontrar uma solução para tudo.
As malditas tarefas domésticas
Por esta altura já perceberam que o David é mais “deixa andar” legalize, e eu sou mais é preciso fazer, faz-se no momento e pronto. É claro que no que diz respeito às lides da casa, entramos em choque, e esta é a nossa luta mais antiga. Desde sempre que dividimos as tarefas irmãmente, porque na verdade nenhum dos dois quer fazer nada. Já testámos algumas coisas, e é isso que quero partilhar convosco.
- Compromisso de cada um dedicar 10 minutos por dia à casa.
Não resultou.
- Cláudia ignorar preguiça do David e deixá-lo fazer as suas tarefas ao seu ritmo.
Não resultou. - Cláudia chatear-se com o David e passar o tempo a mandar indirectas.
(já perceberem quem é a general cá em casa?)
Resultou
- Tabela de presenças tipo primária.
Já fomos muito gozados com os nossos amigos por causa da tabela, porque está escarrapachada na cozinha, e admito que é um bocado ridículo porque somos dois adultos que se regem por uma tabela, mas resulta, e é tudo o que interessa.
Na nossa tabela identificámos as tarefas diárias e as semanais, e sempre que alguém falha já temos legitimidade para refilar. É tipo uma prova de honra. Está a resultar muito bem, depois de anos de discussões sem fim esta parece-nos ser para já o melhor compromisso.
Se é tudo perfeito agora, e o David põe a roupa suja no cesto diariamente? Claro que não, mas mentalmente ajuda-me imenso a não me focar nisso. Parece que passei a responsabilidade “ser uma chata do caraças” à tabela, e isso é muito libertador.
Gratitude
Comecei a fazer este exercício com o David, e numa fase em que andávamos mais chochinhos desafiei-o a fazer comigo. Basicamente antes de dormir, escrevemos num caderno as 3 coisas desse dia pelas quais estamos gratos. Não temos de falar um do outro, não há uma imposição de tema, mas muitas vezes saem dali autênticas declarações de amor, e é muito fixe.
Para terminar, a mensagem que quero passar com este texto é, ninguém sabe como vai ser o futuro, e o amor de hoje pode não ser o amor de amanhã. O que interessa nisto das relações é o presente. É respeito, muita flexibilidade, muita vontade de querermos ser felizes. É preciso desligar o complicómetro todos os dias, e não esperar que a outra pessoa seja a cura para todos os nossos males, e problemas nas nossas vidas.
É um privilegio enorme sermos correspondidos. Podermos amar quem o nosso coração escolheu, partilhar a nossa vida com a pessoa que entre milhões mexeu connosco.
Se estiverem numa relação com a certeza de que não há ninguém no mundo mais feliz do que vocês então estão no caminho certo, e aqui não são precisas comparações. Só precisamos de um coração cheio.

Uau… Já sigo teu (pode ser “tu”?) blog há algum tempo e não sei porquê hoje surgiu-me aqui este Post que fez-me todo o sentido!!
Estou numa fase em que, depois de tantos anos, me aprendi, finalmente, a amar (haha o Gosto-me veio mesmo a calhar!) e agora tenho um certo receio de me envolver com alguém embora todos os sinais do Universo digam que o caminho é por aí. Penso que ler este teu Post logo hoje foi mais um sinal de que preciso parar de ter medo porque o amor nem sempre nos magoa e não precisamos (nem devemos!) abdicar do amor-próprio, em momento algum, simplesmente porque estamos numa relação…
Bem, isto tudo para agradecer a tua partilha tão íntima e tão sincera. Muito Obrigado! 🙂
Olá Cláudia, trata-me por tu, claro! Claro que não devemos nunca abdicar do nosso amor próprio, aliás, isso faz com que tenhamos relações mais felizes, ajuda-nos a estabelecer fronteiras com a outra pessoa. Toda a sorte na tua nova relação, um beijinho