alimentação natural: princípios e lista de compras

 Em desperdício zero, vida holística

A expressão alimentação natural não surgiu há muito tempo, mas surgiu para ficar. Comer de uma forma consciente está na moda, e só quem ainda não testou os efeitos deste tipo de alimentação é que continua a achar que isto de ser saudável é moda passageira. Não é, e ainda bem.

A forma como eu vejo a alimentação natural é muito simples, ela existe para nos nutrir, e como veículo para sermos saudáveis e tirarmos o máximo proveito das nossas vidas, e deve ser adaptada às necessidades e gostos de cada um.

Uma alimentação natural pode ter várias dimensões e dietas, pode ser paleo, vegan, crudívora, vegetariana, omnívora, o que quiserem, e o seu sucesso só depende da capacidade que temos em adaptá-la às nossas necessidades e gostos.

Princípios da alimentação natural

  •  Redução (ao máximo) de alimentos processados.
  • Consumo equilibrado de proteína, hidratos e gorduras.
  • Comer alimentos ricos em fibra, e de fácil digestão.
  • Beber muita água, e mantermo-nos hidratados ao longo do dia.
  • Preparar refeições com amor, tempo e calma.
  • Mastigar e comer devagar.
  • Não comer até rebentar (os japoneses defendem a regra de comer até estarmos 80% cheios e eu esforço-me para a seguir).
  • Saber interpretar o corpo, e adaptarmo-nos aquilo que ele nos pede.
  • Aprender a conjugar os alimentos, para termos uma digestão saudável.
  • Privilegiar o consumo de frutas, legumes, cereais integrais e leguminosas.
  • Tomar suplementos, se necessário.

Como é que uma alimentação natural se adapta a todos os tipos de dietas?

 Uma alimentação natural não significa passar o dia a comer alface, mas também não defende o consumo exagerado de proteína animal. Sei que o vegetarianismo, ou veganismo não é para todos, mas por aquilo que vejo, a maioria dos omnívoros come quantidades absurdas de carnes e enchidos. Todos sabemos que isso em nada beneficia a saúde. O truque aqui é saber conjugar os alimentos, e não exagerar;  tanto no consumo de proteína animal, como no consumo de alimentos processados. Desta forma a alimentação natural consegue chegar a todos, sem extremismos, e de forma a que nos dê prazer, porque a alimentação também é isso.

Vamos às compras?


Preparei uma lista com ingredientes base de uma alimentação natural. Inspirem-se, e adaptem-na de acordo com as vossas preferências e necessidades.

alimentacaonatural

Esta lista é a base que compõe a maioria das receitas “plant based”, um óptimo ponto de partida para quem quer explorar este universo.

Por onde começar?

Os velhos do Restelo: se são daquelas pessoas que acreditam que para ficar saciado precisam de um bifinho, ou de uma posta de salmão a acompanhar, comecem por reduzir a quantidade dos mesmos. A porção mais indicada é o tamanho da palma da nossa mão (sem contar com os dedos, seus batoteiros). Usem e abusem de salada (confessem: normalmente é o inverso, uma pratada de carne e um bocadinho de salada). Depois reduzam o consumo de carne ou peixe, para em vez de a todas as refeições, para uma refeição por dia, e assim sucessivamente. Ah, e que tal sopa ao jantar? As sopas portuguesas são as melhores do mundo!

O entusiasta: se já estão a um nível mais acima, que é como quem diz, já perderam a necessidade de comer  bifinho a todas as refeições, está na altura de começar a preparar pratos mais elaborados e cheios de sabor. Adaptem os vossos pratos preferidos com ingredientes naturais.
Ex: substituir natas (que estão cheias de gordura) por creme de caju.

O fiel seguidor: Se estão no nível “rendi-me a uma alimentação natural, sinto-me mais leve e com mais energia do que nunca”, toca a espalhar a mensagem. Não queremos impingir esta alimentação a ninguém, até porque uma mudança para ser bem-sucedida precisa de partir de uma escolha pessoal, mas podemos explicar os benefícios de uma alimentação natural, para o corpo, para o planeta, e para a carteira. Também devemos partilhar a nossa experiência. Ninguém disse que ia ser fácil, e o processo e motivação variam de pessoa para pessoa. É importante espalhar a mensagem, para que quem nos ouve perceba o realismo desta mudança, não vai ser sempre fácil, mas vai valer a pena.
Nota: aqui é importante o não extremismo, deixem os vossos amados irem ao seu ritmo, sem lavagens cerebrais.

Alimentação natural benefícios para:

Corpo

  • Mais energia porque o corpo digere com mais facilidade fruta e legumes do que a carne. Não se esqueçam da fibra. E ao utilizar menos energia, ficamos com mais energia para viver!
  • Consumo da fibra, deixa-nos mais leves, e os legumes estão carregadinhos de fibra.
  • Menos oscilações de humor e de energia, se soubermos controlar o açúcar que ingerimos.
  • Alimentação e exercício físico temos a combinação perfeita: dormimos melhor, temos mais energia, menos stress. Os benefícios são infinitos!
  • Cuidar do nosso corpo é o primeiro passo para a prevenção de doenças. E é um exercício de amor próprio, quando encaramos a alimentação como “alimento-me bem porque respeito o meu corpo e a minha saúde”.

Planeta

Já sabemos a brutalidade de recursos que gastamos ao nosso planeta para satisfazer os nossos caprichos, seja na alimentação, ou nos bens de consumo. Aqui impera a redução a todos os níveis, seja no consumo de proteína animal, alimentos processados (que vêm em embalagens, e que gastam outro tipo de recursos), seja na quantidade absurda de coisas que temos, e que acabam no aterro sanitário.

Está tudo interligado, já reparam? Basta REDUZIR, e estar mais consciente das escolhas que fazemos. Cada escolha que fazemos, seja na garrafa de água que compramos no café da esquina, ou no bitoque que comemos todos os dias ao almoço, é um voto, um voto em podemos continuar com a mesma atitude, ou um voto para a mudança.

Eu voto em mudarmos, já!

Carteira

Ainda há quem defenda que a alimentação natural é mais cara do que “bife a todas as refeições”, vamos ver como travar isso.

  • Para termos todos os nutrientes que o corpo precisa, não temos de comprar as os 745 tipos de super-alimentos que existem. Simplifiquem.
  •  Façam as vossas compras no mercado local, e comprem sazonal. Comer melancia no pico do inverno tem o seu custo, e é parvo, nós é que nos habituamos a querer é ter.
  •  Cozinhem de uma só vez para várias refeições, se necessário congelem.
  •  Comprem a granel. O preço por unidade é mais baixo, não pagam o valor da embalagem, que encarece o produto, e estão a cuidar do nosso planeta.

Uma alimentação natural tem várias dimensões, que na minha opinião, não podem ser vistas de uma forma isolada. Não adianta comer de uma forma super saudável e exemplar, mas só comprar orgânico vindo da austrália.

A riqueza deste tipo de alimentação é que é muito mais do que isso, não é apenas aquilo que comemos, é também uma forma de estar na vida, onde não existem dietas nem privações, mas sim abundância de alimentos nutricionalmente ricos. É uma escolha para cuidarmos do nosso corpo e do nosso planeta.

E se nos podemos dar ao luxo de poder votar, então vamos votar para o bem!

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